Queria ser um xerife…
agosto 25th, 2008Vocês já assistiram o filme “Onde os fracos não têm vez - No Country for Old Men”?
Muito bom. O filme é bem polêmico, a começar pelo fato de não haver trilha sonora. Enfim, o início do filme é uma narrativa do xerife Ed Tom Bell - texano - vivido por Tommy Lee Jones; onde ele deixa explícito o aumento da violência em sua cidade. Após o brilhante filme dos irmãos Coen, me senti como o xerife Ed, com um certo ar de saudocismo aos velhos tempos. Assim como a polícia texana a polícia fluminense também passa por um período opaco. A força da PMERJ está em baixa, os policiais tem medo até de sacar suas armas, afinal a Corregedoria, Promotoria, a Cúpula dos Direitos Humanos, estão aí para de qualquer forma prender a polícia. Hoje tenho medo de sacar minha arma, de efetuar uma prisão, medo de fazer mais do que o “permitido” por um bando de calhordas engravatados.
As vezes escuto uma conversa entre sargentos antigos - graduados - cheio de chargões, histórias, prisões… Talvez houvesse mais injustiças, talvez… Mas com certeza havia menos violência, o povo tremia quando um policial militar descia de sua viatura, acariciando seu revólver, em uma demonstração nítida de poder, ele abaixava a cabeça, o chamava de senhor. Hoje um moleque de dezoito encara a autoridade policial, o xinga e até sai no tapa com ele. Ele é filho de promotor, juiz, desembargador ou qualquer outra coisa do gênero. Hoje o policial ganha muito pouco, ele não tem instrução, ele necessita de caridade. Hoje ele é como um leão velho e sem dente. Os mais velhos ficam pelos cantos, não querem mais a “pista”, eles preferem trabalhar em um hospital, na guarda ou em um canto qualquer, onde possam ficar escondidos até a passagem para a reserva - a nossa aposentadoria. Os mais novos, eles não são policiais militares - dizem os mais velhos - eles são outra coisa, são técnicos, ou sei lá. Eles até vão para a rua, ficam fazendo uma social, ou tentando ganhar algum por fora, seja com segurança privada, seja com alguma amizade no comércio, ou até tentando a sorte…
Como vocês já podem ter percebido sou bem sutil nas minhas palavras, assim como os mais velhos não quero problemas, na verdade eu queria até mesmo acabar com o blog, só não faço porque não consigo. A PMERJ acabou, concordo com os antigos. Hoje temos apenas um fantasma, um espectro, um canal onde alguns obtem lucros obscuros, alguns tentam brincar com a sorte e alguns apenas assistem. Hoje não temos heróis, hoje não temos xerifes.
Queria ser um xerife. Mandar no meu distrito, combater o crime pra valer. Queria toda a glória de antigamente, queria o respeito, queria o salário gordo, queria o bom combate… Infelizmente não é mais assim, infelizmente quem está no comando é um punhado de engravatados corruptos que não querem aquela polícia forte, aquela que pode prender eles mesmos, seus filhos, sobrinhos ou até amigos; eles nos querem na mão, na rédea curta. Hoje a imprensa fala o que quer, é uma bela democracia… Você fala o que quer, acaba com vidas e vende muito jornal.
Hoje não é mais regime militar, é demo-cracia… O Brasil adotou a democracia, onde a maioria escolhe, a maioria decide o futuro do país… A maioria? A maioria do Brasil é de favelados, de pessoas sem recursos, sem instrução, pessoas manipuladas pelos vascínoras políticos - nem todos são. Como o deputado Jair Bolsonaro disse, no Regime nós não víamos Generais tão ricos, quanto hoje vemos prefeitos, deputados e governadores. Isso é a democracia? A democracia nos trouxe até aqui, em um estado cercado de favelas por todos os lados, um estado sem o verde dos morros, um estado poluído, um estado onde o crime manda.
Hoje, na democracia, faltam xerifes…


