George Lucas mudou de lado…

junho 11th, 2009

Acompanhei a 2ª trilogia de Star Wars no canal de tv a cabo FX. Nunca prestei tanta atenção na história como desta vez, o objetivo era tentar entender como Anakin Skywalker tornou-se Lorde Darth Vader. E lá vai: Anakin e o Conselho dos Jedis encontravam-se em um período assemelhado ao da Guerra Fria, onde a Federação tentava recuperar sua força contra a República. Em meio a inúmeros conflitos armados e ataques da Federação à unidades da República, o clima predominante no Senado (República) é de desconfiança e corrupção. Anakin torna-se uma espécie de aprendiz do Senador Palpatine, que, utilizando da política democrática da República, através de inúmeros acordos e trocas de favores chega ao cargo de Chanceler - uma espécie de líder do Senado Intergaláctico. Anakin fica impressionado com o poder e os conhecimentos do Chanceler em relação a Força e o Lado Negro. Revoltado comas medidas adotadas pelo Conselho dos Jedis em não promovê-lo a Mestre Jedi, apesar dos apelos do Chanceler, Anakin já demonstra sua insatisfação pelas medidas pouco incisivas dos Jedis, e a guerra entre República e Federação se torna mais evidente e ferrenha.

Dividindo seus sentimentos, que vão de encontro aos valores dos Jedis, Anakin fica ainda mais seduzido pelos conhecimentos do Lado Negro da Força ao prever a morte de sua amada Padmé (que está grávida) - Lembrando que os Jedis não podem nutrir esse tipo de sentimento (apego, medo da morte, ambição etc). Não demora muito para que Anakin descubra que seu mentor - o Chanceler Palpatine é na verdade o Lorde Darth Sidious, um Sith. Os Sith são o oposto dos Jedis, são voltados para o Lado Negro, não são altruístas, e tem uma visão muito mais revoltosa do que os Jedis. Sendo assim Anakin relata sua descoberta ao Conselho dos Jedis.

Mace Windu - um dos Mestres Jedis - começa uma luta contra Darth Sidious, e depois de desarmá-lo Anakin chega. Mace Windu diz a Anakin que não pode deixar o chanceler vivo, pois o Senado está todo corrompido assim como o judiciário, e ele nunca seria condenado. Anakin diz que tal atitude vai contra as regras dos Jedis e que o Lord Darth Sidious têm o direito de ser julgado pelo tribunal. Discordando de Anakin, Mace Windu ataca o Chanceler, mas é detido por Anakin, e acaba morto pelo Sith.

Então… George Lucas muda de lado! Por que? Bem, durante toda a trilogia anterior Lord Darth Vader nos transmitia a idéia de um soberano tirano - algo como um general chefe de estado em um regime militar. Porém na última trilogia George Lucas nos mostra um passado onde a República Democrática é na verdade um Governo corrupto e nefasto, onde se discute muito e não se decide nada. Os argumentos de que foram os Sith - os seguidores do Lado Negro da Força - que provocaram isso estão muito equivocadas. Basta lembrar que inúmeros outros líderes de estados estavam mancomunados com o Chanceler, e que a República não conseguiu deter a guerra. Enquanto que através da tirania imposta por Anakin - agora Lord Darth Vader - a guerra teve um fim. George Lucas transparece uma idéia extraída dos livros de Maquiavel - O Príncipe - onde “os fins justificam os meios”.

De fato não podemos afirmar que o Lado Negro está certo, nem que os Jedis estão. Lembramos que o Equilíbrio da Força sempre é citado nos filmes. Não é através da intolerância da Federação, nem através da inércia da República, que a “Galáxia” estaria no caminho certo, mas no equilíbrio entre elas.

Desabafo! Entre a Cruz e a Espada.

maio 27th, 2009

Estou cansado. Cansado desse amor platônico pela PMERJ. Sim, ele é platônico…

Me cansa ver a persistência de erros, de ver a indiferença do estado e a falta de competência administrativa e operacional de nós mesmos.

Não temos computadores, não temos impressoras, não temos condicionadores de ar, não temos aparelhos de comunicação, não temos uniformes, não temos… Alguns de nós já não têm, nem mesmo, HONRA!

Estou triste…

Amo a PMERJ, e chega a ser difícil de explicar esse amor.

Ganho pouco, não tenho infra-estrutura, não tenho apoio do governo, discordo de quase tudo que a diretoria da Corporação decide; mas mesmo assim ainda a amo!

Sou tenente, ganho R$ 1.800,00 reais. Daqui a cinco anos serei capitão, e ganharei algo em torno de R$ 2.800,00 reais, e ai? Como casar e ter a minha casa própria? Ter meu filho? Formar uma família? Espero ser coronel para pensar em comprar um imóvel… E constituir uma vida familiar?


Isso é justo? Esse salário é justo? Esta de acordo com a minha função? É certo um oficial no posto de coronel, último posto da PMERJ, após 30 longos anos em que pôs em risco sua vida, que sacrificou sua saúde e deixou de lado suas ambições; ganhar menos que um agente da polícia federal? É certo nossos soldados ganharem menos de mil reais para combater o crime no Estado do Rio de Janeiro, doando suas vidas para a sociedade? Vivendo, alguns como MENDINGOS? - Está nos JORNAIS! Sim, têm policiais militares vivendo como mendigos! Porra! E então? É isso que a sociedade quer? Não é! Então por que está acontecendo? Por que o soldado só encontra afeto e atenção em pouquíssimas pessoas em nosso Estado? Por que até mesmo dentro da Corporação não temos amor próprio? Não temos, pois se tivéssemos amor próprio, compaixão pelo companheiro de farda, tanto pelos vivos quanto pelos mortos, já teríamos parado há muito tempo! Mas não. Estamos vivendo como ratos, de migalhas da contravenção, migalhas das Vans, migalhas do BICHO, migalhas do tráfico… Porra são migalhas gordas, alguns dizem que são milionárias… Mas vale à pena?

A imprensa odeia a PMERJ, o governo odeia a PMERJ, grande parte da população odeia a PMERJ… Qual será o nosso futuro?

Qual será o futuro do Rio de Janeiro? Será cercado por favelas. Será tomado pelo crime, pela morte e pela violência… Anos de abandono.


O fim está próximo, e quando sua vida estiver em risco… Para quem você vai ligar?

Gosto amargo

maio 23rd, 2009

Na madrugada de sexta-feira (22) fui acordado pelo email de um grande amigo que estava, com toda a razão, revoltado por ter sido assaltado às 22 horas na porta de sua casa em um bairro nobre do Rio de Janeiro cujo IPTU é um dos mais altos do estado. E, parafraseando o slogan da Mastercard, acordar de madrugada com uma notícia dessas não tem preço… Difícil formatar uma frase de amparo à namorada do amigo, e igualmente amiga, que teve uma pistola apontada para a sua cabeça na porta de casa, com direito a todo o vocabulário oriundo de um perfeito vagabundo-marginal. Difícil ainda justificar como que às 22 h dois marginais, montados em uma moto, fazem uma espécie de mini arrastão em uma rua movimentada e conhecidamente pacífica. Na verdade não é difícil. Deixando de lado questões relativas a logística, efetivo,  planejamento e ineficácia de nossos serviços; eu, um mero 2º tenente, oficial subalterno de uma Corporação Bisecular vou tentar explicar uma teoria - aparentemente pessoal - sobre algo que está acontecendo no estado do Rio de Janeiro - The Wolderfull City:

Santa Marta, Batan, Cidade de Deus e, a mais recente, Chapéu Mangueira. Todos estes nomes pertencem a comunidades carentes que foram “apaziguadas” pela Polícia Militar, em um brilhante plano de governo que até eu mesmo já elogiei aqui no blog. Realmente funciona, traz uma nova vida a comunidade e uma esperança de crescimento social, econômico e cultural. O problema é a forma pela qual se processa essa retomada do estado nesse espaço e a retirada da criminalidade. Agora vem o questionamento: todos os marginais que atuavam nestas comunidades foram presos? Acho que é possível contar nos dedos o número de criminosos presos em cada uma destas comunidades. Ou seja, a maioria não foi presa e, com certeza, não mergulhou nas águas do rio Jordão e resolveu abandonar o crime. Na verdade, neste exato momento, nos deparamos com a famosa Mancha Criminal, tanto abordada no meu Curso de Formação de Oficiais na Academia. Ou seja, os criminosos simplesmente se “mudaram”.

“E lugar de criminoso é na cadeia…” E não em outra comunidade.

Agora vem a conclusão deste pensamento, que é pura questão de “gestão de pessoas” no tráfico de drogas! Veja bem, o traficante expulso do Chapéu Mangueira chega na comunidade de igual facção procurando residir e atuar nesta nova filial. Porém, apesar de ser a mesma facção, o chefe local não quer dividir os lucros ou modificar a receita do tráfico de drogas. Daí o traficante recém chegado irá procurar um novo ramo de atuação, na maioria dos casos 157.

Isso acontece por uma tática de fazer acontecer - any way – empregada pelos órgãos de estado envolvidos. Acredito na necessidade e urgência dessas comunidades carentes de apoio governamental, que se tornaram reféns do estado paralelo imposto pelo tráfico de drogas. Mas os métodos utilizados, apesar de gerarem uma sensação de segurança, são totalmente paliativos.

Afinal, mais correto e acertado seria prender os bandidos… Assim aqueles marginais que assaltaram meu amigo estariam devidamente presos, e eu não teria que dormir com esse gosto amargo na boca.

Relatos de uma Pátria refém…

maio 20th, 2009

O Brasil é refém. Refém de uma falsa democracia imposta por uma maioria de políticos corruptos, oriundos de uma juventude criminosa contrária aos governos militares que promoviam um controle moral, ético, social e econômico. Realmente, após o fim do regime militar - regime, e não ditadura - não há mais controle; na verdade há um total descontrole. Vivemos realmente em uma democracia? Democracia é quando o povo participa da política de seu país, e isso definitivamente não ocorre. Não ocorre porque o povo encontra-se em um profundo estado de total ignorância, sem educação, sem possibilidades de crescimento, sem saúde e sem segurança. O povo simplesmente tenta sobreviver, enquanto empresários nefastos promovem alianças com membros do governo para ficarem cada vez mais ricos através de licitações fraudulentas, tráfico de informações, improbidade administrativa, desvio de verbas, venda de cargos públicos e tudo mais do que possa ser feito. O Brasil é uma pátria imersa em corrupção, refém dos jovens militantes de outra época, que diziam lutar pela democracia.

O quê revolta ainda mais é a audácia de políticos engravatados, que acham que o governo de uma unidade soberana possa ser mantido refém através da caneta e do papel. Não, não pode. A história nos mostrou que heróis não vivem só de glória, mas de coragem, de honra e de ideal. Faltam heróis, por isso o Brasil se encontra nesse estado de nostalgia plena; com facções criminosas dominando estado(s), enquanto políticos e toda a sua corja roubam, mas roubam muito; mantendo seu povo escravo do day-by-day , na luta incansável pela sobrevivência, as vezes resistindo através de bolsas (esmolas) governamentais, que só fazem maquiar o óbvio.

E não vai mudar. Não até que os heróis do passado abram os olhos, aqueles heróis que juram à bandeira, que sacrificam seu day-by-day em prol do Estado, em prol da Pátria Mãe Gentil. Fica esperança de que em algum lugar no futuro um deles engraxe seu coturno, passe sua farda com vinco, pegue seu fuzil e grite em alto e bom som:

ÀS ARMAS!

Omissão, Corrupção ou Ineficiência

maio 18th, 2009

Quando nos deparamos com a situação do Rio de Janeiro nos deparamos com o seguinte questionamento:

Ou o estado é omisso, ou é corrupto ou é ineficiente.

Por quê? Bem, alguém tem duvida que nas centenas de favelas do Rio de Janeiro existe tráfico de drogas e armas, e que traficantes armados agindo sob a bandeira de uma facção criminosa promovem um estado paralelo onde a lei e a presença do estado não existem?

Então se, por exemplo, na Favela da Rocinha existe este cenário caótico por que o governo do estado não faz nada? E no Morro dos Macacos, no Complexo da Maré, no Jacarezinho…

No caso da omissão - O estado simplesmente ignora tal fato por achar que dá muito trabalho tentar retomar a estado de república federativa democrática naquelas regiões, deixando tudo a mercê de traficantes armados, que impõem suas próprias leis, propagam a violência e o tráfico de drogas e armas.

No caso da corrupção - O estado recebe uma quantidade considerável de dinheiro, oriundo do tráfico de armas, drogas e outras ações criminosas; para não interferir nas áreas dominadas por facções criminosas.

No caso da ineficiência - O estado, apesar de todos os esforços e investimentos, não consegue retomar as áreas dominadas pelas facções criminosas. Ignorando por completo a necessidade de uma intervenção federal para a retomada da lei, da ordem e da paz.

Bem, o cidadão fluminense pode escolher qual dessas três propostas ele acha que é a real situação vivida pelo estado. O quê você acha?