Archive for julho 11th, 2008

Para Refletir…

sexta-feira, julho 11th, 2008

Dias atrás, numa exibição de soldados do exército, na França, o sargento não trocou a munição por festim. Feriram 14 pessoas. O comandante geral do exército entregou seu cargo, o que foi aceito pelo presidente Sarkozy. Esta semana, uma operação de perseguição na cidade do México atingiu vários civis sendo que dez faleceram. O Chefe de Polícia e o Procurador de Justiça pediram exoneração, o que foi aceito. Aqui, são desculpas, lamúrias, xingamentos aos policiais, empurrando para baixo uma responsabilidade que inevitavelmente é de cima. Quando não há essa consciência, não há autoridade, não há comando, não há polícia, não há mais nada.” (ex blog-César Maia, 10/07/08). - retirado do blog do Maj PM WANDERBY

Quem não trabalha não erra, quem não erra não é punido… - retirado do blog das Praças da PMERJ

 

O Tempo fechou…

sexta-feira, julho 11th, 2008

Ontem pela manhã já sentia que o clima na PMERJ não era nada bom. Algumas notícias sobre um amigo que estava quase indo para o Batalhão Especial Prisional da PMERJ, porque estava de serviço, e nesse dia uma guarnição resolveu fazer grande uma besteira; notícias sobre a ausência da palavra “aumento” no discurso das autoridades públicas, sobre a possibilidade dos últimos acontecimentos corroborarem essa política de “não-aumento”; notícias sobre discusões entre comandantes e divergências quanto ao rumo de nossa instituição. Tudo isso repercutiu de uma forma que eu nunca havia visto na tropa. Foram inúmeras faltas ao serviço, policiais militares fadigados e com uma péssima aparência nas ruas, quase que se arrastando inertes a tudo que ocorria ao seu redor, e um destes policiais militares após tentar SUICÍDIO dentro da unidade, sendo socorrido por mim e outro oficial, me relatou um cenário ainda mais catastrófico, sombrio e mórbido:

Ele disse que não aguentava mais viver, que havia se entregado às drogas e que o pouco salário que ganhava usava para se drogar, enquanto sua família passava necessidades. Quando o questionei o porquê fazia isso ele soltou um sorriso amarelado e me falou algo que eu nunca havia pensado, talvez pela minha pouca experiência de vida, mas que me fez abrir os olhos. Ele me disse que o quê ganhava, não dava para sustentar a sua família, e que estava cheio de dívidas, então ele usava as drogas para esquecer desses problemas.

Aquilo me deu uma angústia jamais experimentada. Ele tentou se matar, ainda, mais duas vezes. Depois de horas de conversa ele resolveu optar pela internação. Após essa cena eu passei a observar mais os policiais militares e percebi que muitos estavam com o mesmo olhar de apatia e tristeza.

Não consegui dormir pensando nisso, e hoje pela manhã resolvi ir para a unidade conversar com meus subordinados, que chegavam para o serviço… E o resultado é devastador. A tropa está sim muito abalada. Todos estavam dispostos a não fazer nada além do indispensável, não havia a vontade do bom-combate, não havia o ânimo e a camaradagem de tempos atrás, antes mesmo da minha entrada na Corporação. 

Dei uma instrução por odem do comandante aos policiais militares que entravam de serviço, eles me olhavam de uma forma distante, e não creio que eles tenham aprendido algo. A maioria faltou… Espero que algo aconteça, mudanças são necessárioas, mudanças em toda a Corporação, mudanças significativas… Estou ouvindo muito a frase: A PM têm que acabar…

O problema é que antes só ouvia essa frase fora do quartel, hoje eu a escuto por todos os cantos do quartel…