Archive for julho, 2008

O Tempo fechou…

sexta-feira, julho 11th, 2008

Ontem pela manhã já sentia que o clima na PMERJ não era nada bom. Algumas notícias sobre um amigo que estava quase indo para o Batalhão Especial Prisional da PMERJ, porque estava de serviço, e nesse dia uma guarnição resolveu fazer grande uma besteira; notícias sobre a ausência da palavra “aumento” no discurso das autoridades públicas, sobre a possibilidade dos últimos acontecimentos corroborarem essa política de “não-aumento”; notícias sobre discusões entre comandantes e divergências quanto ao rumo de nossa instituição. Tudo isso repercutiu de uma forma que eu nunca havia visto na tropa. Foram inúmeras faltas ao serviço, policiais militares fadigados e com uma péssima aparência nas ruas, quase que se arrastando inertes a tudo que ocorria ao seu redor, e um destes policiais militares após tentar SUICÍDIO dentro da unidade, sendo socorrido por mim e outro oficial, me relatou um cenário ainda mais catastrófico, sombrio e mórbido:

Ele disse que não aguentava mais viver, que havia se entregado às drogas e que o pouco salário que ganhava usava para se drogar, enquanto sua família passava necessidades. Quando o questionei o porquê fazia isso ele soltou um sorriso amarelado e me falou algo que eu nunca havia pensado, talvez pela minha pouca experiência de vida, mas que me fez abrir os olhos. Ele me disse que o quê ganhava, não dava para sustentar a sua família, e que estava cheio de dívidas, então ele usava as drogas para esquecer desses problemas.

Aquilo me deu uma angústia jamais experimentada. Ele tentou se matar, ainda, mais duas vezes. Depois de horas de conversa ele resolveu optar pela internação. Após essa cena eu passei a observar mais os policiais militares e percebi que muitos estavam com o mesmo olhar de apatia e tristeza.

Não consegui dormir pensando nisso, e hoje pela manhã resolvi ir para a unidade conversar com meus subordinados, que chegavam para o serviço… E o resultado é devastador. A tropa está sim muito abalada. Todos estavam dispostos a não fazer nada além do indispensável, não havia a vontade do bom-combate, não havia o ânimo e a camaradagem de tempos atrás, antes mesmo da minha entrada na Corporação. 

Dei uma instrução por odem do comandante aos policiais militares que entravam de serviço, eles me olhavam de uma forma distante, e não creio que eles tenham aprendido algo. A maioria faltou… Espero que algo aconteça, mudanças são necessárioas, mudanças em toda a Corporação, mudanças significativas… Estou ouvindo muito a frase: A PM têm que acabar…

O problema é que antes só ouvia essa frase fora do quartel, hoje eu a escuto por todos os cantos do quartel…

Não quero ficar preso…

quinta-feira, julho 10th, 2008

Eu não quero ficar preso. Já ficou claro que a caça às bruxas na PMERJ já começou. Lembram do tal Frankestein que eu sempre citei aqui no blog? Ele acordou senhores! A grande verdade é que a PMERJ tentou… E tentou mesmo! Foram toneladas e toneladas de drogas, centenas de armas, prisões e atuações que enalteceram a Corporação. Mas o que fazer quando enfrentamos marginais fortemente armados, uma sociedade hipócrita, um governo corrupto e despreparado e o nosso próprio sentimento de revolta, indignação e tristeza? A PMERJ está começando a abrir seus olhos… Está compreendendo que por mais que se lute, a sociedade irá nos crucificar no primeiro erro, amigos vou lhes contar um segredo: nós não somos monstros, somos seres humanos! Quem matou o menino João Roberto não foram apenas os policiais militares, foi o governo e a sociedade. Mas e aí? O que o Frankestein vai fazer agora que acordou? Nada! A “poliçada” abriu os olhos amigos, não vale a pena enfrentar os traficantes fortemente armados nas favelas, arriscando a própria vida… Eu acho que posso falar por mim e pela maioria dos policiais militares do estado, eu não vou mais à favelas ou à qualquer situação de risco, a não ser por ordem direta de um superior! Eu não vou mais colocar a minha vida, nem a vida de meus companheiros em risco… Se o pai do menino João está revoltado - e com razão - eu também estou. O pai do João chorou a morte de seu filho, assim como CENTENAS de mães de PMs choraram a morte de seus filhos… Já está na hora da sociedade acordar e ver quem é o vilão… Enquanto isso eu continuo ganhando uma miséria e sobrevivendo assistindo ao fim!

Só não quero ficar preso…. ou ser morto!

Quem vai pôr a mão na massa???

quinta-feira, julho 10th, 2008

Os tablóides já falaram tudo… Todos estamos por dentro do que está acontecendo na PMERJ, mas peraí…

O que é responsável por isso? O que causou todos esses problemas e questionamentos da sociedade?

Precisamos repensar a administração de nossa sociedade, será justo que parlamentares (alguns até sem escolaridade) tenham salários tão exorbitantes? Muito maiores do que de professores, médicos e policiais?

Quem determina isso? Por que é assim? O Frankeistein já está acordando, e as coisas vão ficar feias! Precisamos urgentemente repensar nossos pilares sociais! Precisamos resgatar os valores da família, da religião e do patriotismo…. Precisamos de CIVISMO!!!

A fórmula é fácil… Queremos melhores profissionais de segurança? Vamos aumentar o nivel do concurso, atrair através de melhores salários uma mão-de-obra mais qualificada e intensificar a preparação. Ora, não adianta agora querer aumentar a fiscalização… Não é preciso ser nenhum gênio para saber que isso não dá certo… É como tentar fazer um cachorro voar na porrada!!! rs

O que precisamos é de melhorar o salário do PM, melhorar sua formação, seus recursos e infra-estrutura. Os profissionais não se improvisam. Uma coisa que eu sempre defendi e continuo defendendo é a criação de três quadros na polícia militar: COMBATENTE, ADMINISTRATIVO e JURÍDICO. E por Deus… Isso não custa nada!

Pensem nisso… Comentem…

 

Abraços… Fiquem em paz!