Archive for agosto 16th, 2008

Polícia militar pode aderir a greve - ESTUDO DE CASO

sábado, agosto 16th, 2008

Segunda Feira (31) os policiais militares realizarão uma assembléia às 15:00 para discutir a crise que vem gerando na Secretaria da Segurança Pública da Bahia
Se não optarem pela paralisação, os PMs devem definir por um tipo de ação para manifestar a insatisfação, desde um “panelaço”, com a participação das esposas dos militares, a uma “operação-padrão”, ou “tolerância-zero”: os presos em flagrante seriam levados para o plantão central da polícia, o que iria atulhar o local de detidos. 
Deverão participar da assembléia representantes da Associação dos Praças da Polícia Militar - APPM (com cerca de sete mil associados), a Força Invicta dos oficiais (três mil integrantes), a Aspol - Associação dos Policiais da Bahia (2.150) e Associação dos Subtenentes e Sargentos (quatro mil associados), todas da capital. Além dessas, as oito associações de PMs do interior - que representam cerca de oito mil integrantes da corporação - ficaram de mandar diretores para o evento. O presidente da APPM, soldado Agnaldo Pinto confirmou que a mobilização dos praças está mantida diante da “irredutibilidade do governo”. 
 
Os soldados irão ter apenas R$ 2 de aumento disse o sargento José Dias, presidente da Aspol e um dos principais aliados de Jaques Wagner na campanha pelo governo do Estado em 2006. Dias apareceu no programa político de Wagner para reclamar da repressão dos governos do PFL e exibir um contra-cheque de um soldado para tentar provar que o PM baiano  recebia um dos menores salários de todo o Brasil. 
Conforme Dias, houve redução na Gratificação de Atividade Policial, a GAP - que constitui a maior parte do vencimento - para aumentar o salário-base. “A GAP de um soldado é de R$ 1.103,00 e o salário-base R$ 380; na mensagem de aumento, o Estado tirou R$ 20 da GAP e passou para o salário-base que chegou a R$ 400 e sobre esse valor aplicou o aumento de 4,46% resultando em R$ 415”, explicou. “Com essa modificação, a GAP passou para R$ 1.083,00 e, pela mensagem de aumento, não será mais reajustada daqui para frente. Ou seja: nos próximos anos a GAP vai ser desvalorizada. Isso não podemos aceitar, deixou os integrantes da PM super-insatisfeitos”. 
Os policiais já estão desacreditando no novo governo que prometeu valorizar o salário do servidor público e isso não está ocorrendo 
O comando da PM informou através da assessoria de comunicação da Corporação que só vai se pronunciar após a realização da assembléia.

PMs decidem ficar em estado de greve - ESTUDO DE CASO

sábado, agosto 16th, 2008

PMs decidem ficar em estado de greve

 

 Por Nelson Rocha

    A ameaça de greve por parte da Polícia Militar, insatisfeita com o aumento salarial proposto pelo governo do estado, ainda é uma realidade, mas os policiais decidiram ficar em estado de greve e aguardar até amanhã, quando a o projeto de lei propondo o aumento deve ser votado na Assembléia Legislativa. A decisão foi tomada ontem, à tarde, durante assembléia geral realizada no Clube da Associação dos Sargentos da PM, situado no Vale dos Barris. A assembléia reuniu um pouco mais de uma centena de policiais representantes de associações da capital e do interior.

  O capitão Tadeu Fernandes, deputado estadual pelo PSB, foi escolhido pelos policiais civis e militares para ser o mediador da queda de braço com o governo. “Vamos procurar um caminho para a gente solucionar esta crise da melhor maneira possível, tanto para a sociedade como para os policiais”, declarou Tadeu. “As questões estão sendo discutidas e qualquer decisão vai partir da categoria”, observou o parlamentar militar, para quem “depois da greve de 2001, quando o governo não quis dialogar, tudo é possível. Mas o que nós queremos é que não chegue a este ponto. O governo do estado abriu às negociações, desde sexta-feira da semana passada. Estamos procurando caminhos que evitem um mal maior para a sociedade”, ressaltou.

 

 

Rebelião das tropas - ESTUDO DE CASO

sábado, agosto 16th, 2008


Polícia Militar faz greve, consegue aumento de 48% e espalha onda de reivindicações pelos Estados 

IVAN PADILLA

A voz grave do arcebispo de Belo Horizonte, dom Serafim Fernandes de Araújo, ecoou pelos salões da sede do governo mineiro no final da tarde da quinta-feira 26. Ele rezou o Pai Nosso e pediu a ajuda divina pouco antes do início da reunião que encerrou a tumultuada greve da Polícia Militar de Minas Gerais. Mais discreto, o cabo Júlio César Gomes, principal líder dos policiais rebeldes e pastor de uma congregação da Igreja Metodista, preferiu orar em voz baixa. “Que Deus proteja nossos irmãos de farda e ilumine a todos aqui presentes para que possamos chegar a um acordo”, sussurrou. As preces foram atendidas. Depois de uma negociação tensa que durou mais de três horas, terminou a inédita paralisação de soldados e oficiais de baixa patente - cabos, sargentos e subtenentes - nos 225 anos de existência da corporação. Foram duas semanas de greve que, segundo lideranças do movimento, envolveu pelo menos 80% dos 42 mil policiais militares de todo o Estado. A capital mineira, principal foco das manifestações, assistiu a invasão em suas ruas de jipes e tanques do Exército e o confronto entre os próprios companheiros de farda. O saldo final do movimento foram um ferido, o cabo Valério dos Santos de Oliveira, 36 anos de idade e 17 de corporação - que levou um tiro na cabeça e continuava em estado de coma até a sexta-feira 27 -, e o imenso desgaste político do governador Eduardo Azeredo, que acabou concedendo um aumento de 48%, elevando o piso salarial de R$ 415 para R$ 615. 

A imagem do governador estava tão arranhada que, para não comprometer as negociações sobre o fim da greve, ele retirou-se da sala logo após o início das conversas. Desde que Azeredo assumiu o governo em 1995, dois graves problemas em Minas tiveram grande repercussão no País. Um, em janeiro deste ano, foi provocado pela natureza: as chuvas de verão que causaram grandes estragos em todo o Estado. O outro, agora, foi a rebelião dos PMs. Nos dois momentos, Azeredo estava ausente. Fora viajar pelo mundo. Em janeiro, o governador se recusou num primeiro momento a interromper suas férias pela Europa. Só voltou dias depois do início da tragédia, que atingiu 193 cidades e deixou 79 mortos, 91 feridos e 43 mil desabrigados. Desta vez, o governador tinha uma excursão para a Europa marcada para a sexta-feira 13 de junho. Foi justamente o dia em que dois mil policiais militares realizaram uma passeata até o Palácio da Liberdade, sede do governo. Era a primeira manifestação aberta depois de iniciada a crise. O governador adiou a viagem para dois dias depois. Passeou pela Eslovênia, Alemanha e Hungria com uma comitiva de empresários, propagandeando o seu Estado. Um secretário de governo admitiu que Azeredo errou feio ao se ausentar do País, mais uma vez. “Ele não acreditou na consistência da greve e achou que a crise estava contornada.” De volta à capital mineira, em 21 de junho, o governador tentou encerrar a greve com a concessão de um abono fixo de R$ 102. Era pouco para um movimento que ganhava corpo em todo o Estado. Também demitiu quatro comandantes da PM. Mas o momento mais dramático aconteceu na tarde de terça-feira 24. Durante um ato público em frente ao Comando Geral da PM, cerca de seis mil soldados entraram em confronto com a chamada tropa da legalidade, um grupo de 800 policiais militares não-grevistas. No meio da confusão, o cabo Oliveira, também evangélico, casado, pai de dois filhos e salário de R$ 472, tentava acalmar seus colegas quando um tiro atravessou sua cabeça. O suspeito de tê-lo atingido é o soldado Wedson Campos Gomes, 30 anos, identificado a partir de imagens de televisão. Preso, Gomes alega inocência e diz que atirou para cima. “Valério era meu amigo. Jamais eu iria atirar nele”, afirmou. 

Considerado um policial exemplar e muito religioso, o cabo ferido tornou-se uma espécie de mártir do movimento grevista, o que insuflou os ânimos dos demais militares. Sem o controle da PM no Estado, Azeredo, apavorado, telefonou para o presidente da República em exercício, Marco Maciel - que substituía Fernando Henrique Cardoso, em viagem aos Estados Unidos. Pediu a intervenção do Exército e Maciel atendeu. Por volta das 17h, menos de duas horas depois de o cabo ter sido ferido, cerca de mil homens armados de fuzis, vindos do Batalhão de Infantaria de Sete Lagoas, a 50 quilômetros de Belo Horizonte, guardavam o Palácio da Liberdade e o Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governador. Assim que desembarcou no Brasil, no final da noite da terça-feira 24, o presidente Fernando Henrique ligou para Azeredo e ofereceu mais tropas ao governo mineiro. No dia seguinte, tanques e jipes do Exército circulavam pelas ruas da capital mineira. Na quinta-feira 26, FHC e Azeredo falaram novamente em três ocasiões. 

A preocupação do governo federal era que a assembléia marcada para a manhã do dia seguinte se tranformasse em nova passeata e fugisse totalmente ao controle. O temor maior era que a crise ultrapassasse as divisas de Minas e influenciasse as PMs de outros Estados. Isso, no entanto, pode estar prestes a acontecer. Representantes de 16 entidades de policiais militares de São Paulo já começam a se mexer para reivindicar aumento de salário. Manifestações estão sendo programadas para o Dia do Soldado, em 25 de agosto, e a Associação dos Cabos e Soldados da PM de São Paulo pediu ao governador Mário Covas uma audiência urgente. No Rio, está sendo organizada uma passeata para o dia 23 de julho. Os PMs pretendem cobrar promessa de campanha do governador Marcelo Allencar de aumento salarial. Movimentos semelhantes começam a ocorrer no Ceará, no Pará e Distrito Federal e podem se alastrar pela Paraíba, Espírito Santo e Bahia. 

O governo federal avalia que faltou sensibilidade política ao governador Eduardo Azeredo para conter o movimento iniciado pelos policiais mineiros. O primeiro erro foi conceder no dia 5 um aumento de 14% a 21% só para os oficiais, o que provocou a ira das tropas. O segundo foi não perceber que a PM mineira se transformara num barril de pólvora, prestes a explodir. Ao final das negociações, outra vez Azeredo teria sido inábil, conforme o entendimento do Palácio do Planalto. Ao ceder às pressões dos policiais e conceder o aumento salarial, ele pode incentivar novas rebeliões militares por todo o País. “As conquistas obtidas por nossa greve abrem um precedente histórico. Antes, a Polícia Militar dependia da movimentação de outros funcionários públicos para obter reajustes salariais”, disse o líder Júlio Gomes, 27 anos de idade e nove de PM. Na sexta 27, enquanto dois mil homens do Exército ainda protegiam a sede do governo mineiro e os PMs voltavam ao trabalho, o evangélico Gomes rezava na igreja Metodista do bairro Milionários, na periferia de Belo Horizonte, onde é pastor. “Sinto que mudamos a história da corporação.”