Quando chegamos ao limite?
É com pesar que escrevo hoje. Hoje ouvi um amigo tenente, que considero e admiro, dizer que a PMERJ acabou. A priori eu pensei que era uma hipérbole, mas no fundo eu tinha a mesma sensação. Quando foi que isso aconteceu? Quando foi que perdemos o militarismo, a unicidade, os valores, a moral e o orgulho? Se por um lado as praças da instituição hoje estão mais unidas aos oficiais, por outro as escalas, serviços e salários apenas pioraram. Hoje temos o pior salário da Brasil e não fazemos nada. Uma coisa é respeitar o governo, outra é nos desrespeitarmos! Isso é inadimissível. Nos afastarmos cada vez mais de valores e do militarismo nos levaram a perda dos nossos pilares institucionais, da hierarquia e da disciplina. Hoje o RDPM da PMERJ é INCONSTITUCIONAL, uma vergonha. Hoje os policiais militares nas ruas usam o uniforme administrativo, hoje o policial militar não é respeitado nem mesmo por sua Corporação, que usa sua Corregedoria para punir policiais militares sem cobertura ou com aparelhos celulares não cadastrados. É difícil conviver com isso. Pior é ouvir: - Não está satisfeito pedi para sair. Com todo respeito eu respondo: - Uma ova! Essa instituição também é minha. Alias essa Corporação é da sociedade e não do Governo! Mas e então, quando isso vai mudar? Quando vamos chegar no nosso limite de não aguentarmos mais essa situação? O diálogo funcionou? Soldado, você está ganhando bem? Não, você ganha o PIOR salário do Brasil, no 2º maior estado em ARRECADAÇÃO! Como não tem dinheiro? Como um policial militar do Mato Grosso do Sul, no meu posto ganha R$ 7.000,00, ou em Brasília R$ 8.000,00 ou em São Paulo, ou em Minhas Gerais, ou em Santa Catarina, ou em Goias… Por que? Por que nossos Comandantes ainda não efetivaram o uso do Termo Circunstanciado? Por que ainda toleramos tantos policiais militares cedidos a outros órgãos, enquanto praticamente todas as nossas unidades se encontram com déficit de efetivo? Até quando senhores?
Praticamos militarismo apenas na caserna, militarismo Comandantes não é só treinar para o 7 de Setembro, é respeitar valores dentro de nossas unidades, é ter paixão pela sua Arma… Me ensinaram na Academia que profissionais não se improvisam, mas onde está nossa especialização? Onde está a divisão dos quadros? Hoje um soldado não quer ser cabo, pois a diferença salarial não compensa o tempo empregado no Curso de Formação de Cabos - além do afastamento dos trabalhos informais na folga. Eu sugiro um aumento significativo para a tropa, com o soldo do recruta igual ao salário mínimo, e um aumento sensível nos cursos de formação, inserindo na tropa a vontade de evoluir dentro da Corporação.
Está tudo arruinado. E será que ainda não chegamos no limite? Até quando ficaremos calados? Onde está o amor pela farda? Onde está a vontade de querer recuperar o ORGULHO de ser policial militar?! Chega, queremos DIGNIDADE!
Espero que meu texto alcance alguns policiais miltares, de Coronéis à Soldados. E tomara que faça o efeito esperado, vamos provar que é possível recuperarmos nossa PMERJ.
Juntos Somos Fortes.
outubro 5th, 2008 at 14:15
Bravo !, querido Tenente.
É doloroso, porém é tudo verdade.
AP