Tudo como dantes no Quartel de Abrantes, ou não?

Troca de Chefia na Polícia Civil, sai o delegado Gilberto Ribeiro e entra o delegado Allan Turnowski (ex-DPE). Não faltaram elogios ao ex-chefe, que segundo o Secretário de Segurança Beltrame fez com que a Polícia Civil ganhasse o respeito da sociedade, investigasse melhor e prendesse mais. De fato rumores que tratam da saída do ex-chefe indicam que sua postura contrária a divulgação de informações adquiridas pela PCERJ a outros órgãos de segurança, e a criação de um portal de informações com menos burocracia, teriam motivado sua saída. Na minha opinião tal fato somente corroborou uma postura da atual gestão do governo estadual, em oxigenar seu contingente.

E, em meio as mudanças na PCERJ, já parece muito provável a troca de Comando Geral na Polícia Militar - segundo o Jornal O Globo. O jornal já, inclusive, define o novo nome na frente da Corporação - O Cel PM Mário Sérgio de Brito Duarte - atual diretor do Instituto de Segurança Pública - ISP. Teoricamente o Cel Mário Sérgio teria um perfil similar ao procurado pela Secretaria de Segurança, um oficial capacitado, com uma formação bem interessante, que vai desde o Curso de Operações Policiais Especiais (ministrado pelo BOPE) até a formação em nivel superior na cadeira de Filosofia pela UFF-RJ; sem mencionar que o Cel PM Mário Sérgio comandou, também, unidades bem distintas como: Academia de Polícia Militar D. João VI - curso que forma os oficiais da PMERJ - (sendo, inclusive, meu primeiro comandante), Batalhão de Operações Policiais Especiais, 22 BPM - Complexo da Maré e atualmente é o Diretor do ISP. Na prática o Cel vem apresentando um trabalho excepcional no ISP, que, segundo fontes, é elogiado inúmeras vezes pelo Secretario de Segurança; e, pelo Instituto ser responsável por manter, elaborar e produzir dados sobre a criminalidade, sua atual função seria perfeita para os objetivos da Secretaria de Segurança.

Porém, na minha humilde opinião, ainda não é hora de esperar mudanças profundas na PMERJ. Isto se deve ao fato de que sem um apoio forte do governo do estado, gerindo melhores condições de trabalho, melhor salário para os policiais militares e melhor infra-estrutura; nada mudará de forma incisiva. Hoje a Corporação encontra-se vivendo um período crítico em sua história onde, apesar de conseguir aumentar os índices de apreensões e prisões, vem sendo tornado público o aumento considerável da corrupção e, ainda mais crítico, de mortes de policiais militares; motivado, talvez, pela ação cada vez maior de milícias rivais entrando em confronto pela conquista de mais áreas de atuação. Um novo comandante também encontraria uma fase crítica no que tange a atuação destas milícias, com direito a dossies a Polícia Federal e tudo mais; além da insatisfação, quase que geral, quanto a questão salarial - fato que já motivou a saída do ex-comandante Cel PM Ubirantan de Oliveira Angelo.

Esperamos que, caso realmente mude o comando geral, esse novo comando tenha uma aproximação ainda maior do governo do estado. Tendo abertura para conquistar e desenvolver uma nova política de segurança na PMERJ, com uma mudança radical na Corporação que sofre com uma estagnação administrativa profunda, falta de gestores e com uma imagem arranhadíssima peranta a sociedade.

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