Rio 2016 e os 16 mil
Foi em ritmo de festa que o cidadão carioca recebeu a notícia de que a Olímpiada em 2016 será aqui - in the Wonderful City. Junto com a certeza as autoriades públicas já se anteciparam e, de Copenhague mesmo, anunciaram o investimento de 30 bilhões de reais, direcionados a infra-estrutura, transporte e demais setores de grande relevância para que a realização dos jogos seja inesquecível. O fator preocupante é que no quesito segurança apenas a estimativa de mais 16 mil homens nas ruas até 2014 - data da Copa do Mundo no Brasil - foi anunciada.
Um fator relevante é a persistência das autoridades públicas em negar a atual situação da Polícia Militar - inegavelmente o principal órgão de segurança do Estado - que se encontra recebendo o PIOR salário de todo o Brasil! Chega a ser uma incongruência o fato de que um estado que vai ter um relevante papel na Copa do Mundo de 2014 e vai sediar uma Olimpíada em 2016 apresente esse cenário catastrófico na área de segurança.
Mais preocupante ainda é a possibilidade de que o governo apenas tenha como planejamento de segurança intupir a cidade de policiais militares do interior do estado e da Força Nacional - o verdadeiro legado do PAN foi a decepção com os sistemas implementados (com ênfase na área de comunicações - inoperante) e a indiferença para com os profissionais de segurança pública, que continuaram com os piores salários da nação, apesar de conquistar através de esforços sobre-humanos o sucesso da missão.
Outro fator relevante dessa arrecadação de mão-de-obra é a maneira com a qual iremos selecionar esses novos policiais militares. Ao trabalhar no CFAP reparei em algo bem interessante e preocupante, notemos que quando a PMERJ abre um concurso para 1600 policiais militares, todos entram. Sendo assim teremos a primeira convocação onde iremos reunir do 1º ao 300º candidato, por exemplo. Lecionando para estes recrutas observamos com satisfação um nível intelectual satisfatório e, as vezes, excepcional. Acontece que na terceira, quarta, quinta e demais chamadas, estaremos lidando com o 1000º candidato de um concurso que, notoriamente, não apresenta a necessidade de uma grande intelectualidade ou notório saber de algum assunto específico. Daí concluímos que, tal fator aliado aos baixos salários, teremos um policial militar pouco exigido intelectualmente. Isso é devido ao paradoxo existente entre a necessidade de mão-de-obra e a disponibilidade desta de forma qualificada.
Não creio que a realização de uma Olimpíada na cidade do Rio de Janeiro garanta um real benefício permanente para a sociedade carioca, prova disso foi o Pan. Nem que a manutenção da paz e da ordem estejam intensamente ligados pela valorização das forças de segurança - em especial a PMERJ; pelo contrário, imagino que tais investimentos só irão se concretizar com muito esforço e empenho da Secretaria de Segurança Pública e os demais órgãos de segurança (PCERJ e PMERJ).
Afinal estaremos vivenciando uma verdadeira Corrida do Ouro, onde os diversos órgãos federais, estaduais e municipais, disputarão cada centavo por um lugar ao Sol no sonho Olímpico. E, nesse cenário, é historicamente comprovado que nós, policiais militares - aqui do Rio, saímos perdendo.
outubro 7th, 2009 at 20:15
[...] “Um fator relevante é a persistência das autoridades públicas em negar a atual situação da Polícia Militar - inegavelmente o principal órgão de segurança do Estado - que se encontra recebendo o PIOR salário de todo o Brasil! Chega a ser uma incongruência o fato de que um estado que vai ter um relevante papel na Copa do Mundo de 2014 e vai sediar uma Olimpíada em 2016 apresente esse cenário catastrófico na área de segurança. (…) estaremos vivenciando uma verdadeira Corrida do Ouro, onde os diversos órgãos federais, estaduais e municipais, disputarão cada centavo por um lugar ao Sol no sonho Olímpico. E, nesse cenário, é historicamente comprovado que nós, policiais militares - aqui do Rio, saímos perdendo.” (PM Utopia) [...]