Brigas Internas…

setembro 25th, 2008

Já é explícita a guerra interna vivida na PMERJ. Uma guerra confusa, bem confusa. Em alguns blogs constatamos desde denúncias formais à ofensas morais e generalistas; brigas silenciosas também rondam os corredores do Quartel General, onde inúmeras especulações são feitas sobre troca de comandos, novas diretrizes, mudanças de fardamento etc. E isso tudo é gerado pela grande insatisfação da tropa com as políticas atuais no campo da segurança pública, mas notoriamente no que tange a questão salarial da Corporação. Reintero que a PMERJ têm o MENOS salário das Polícia Militares do BRASIL, sendo que o RIO DE JANEIRO possui a SEGUNDA maior ARRECADAÇÃO! Motivo pelo qual os policiais militares fluminenses, que ganham MENOS que o SALÁRIO MÍNIMO, têm razões para demonstrarem sua insatisfação. Em meio a crise verifica-se ainda decisões bem polêmicas dos setores de gerenciamento, como por exemplo a redução das escalas. Analisemos pelo lado técnico da gestão de pessoal: o salário é o pior do Brasil e como consequência dos inúmeros praças e oficiais cedidos a outros órgãos os policiais militares, que infelizmente não têm peixe, vão ter que trabalhar mais para suprir esses óbices. Ora, nada contra ser peixe, eu também quero ser… Mas e quanto aos que não são? Eles vão ter que trabalhar em escalas ainda mais apertadas, que não o possibilitam fazer o “bico” para garantir o pagamento da escola do filho ou do remédio da mãe, coisas que o salário de um policial militar não cobre.

A stuação é muito crítica, a PMERJ se esforça, luta, sangra, chora… E a recompensa não vêm… O blog das praças contabiliza 71 mortos. E o aumento? Falaram em diálogo… Cadê o diálogo? Deve ter muito papo pra colocar em dia…

Lamentável. Enquanto isso nós esperamos, com contas vencidas e cobranças familiares…

Quando chegamos ao limite?

setembro 19th, 2008

É com pesar que escrevo hoje. Hoje ouvi um amigo tenente, que considero e admiro, dizer que a PMERJ acabou. A priori eu pensei que era uma hipérbole, mas no fundo eu tinha a mesma sensação. Quando foi que isso aconteceu? Quando foi que perdemos o militarismo, a unicidade, os valores, a moral e o orgulho? Se por um lado as praças da instituição hoje estão mais unidas aos oficiais, por outro as escalas, serviços e salários apenas pioraram. Hoje temos o pior salário da Brasil e não fazemos nada. Uma coisa é respeitar o governo, outra é nos desrespeitarmos! Isso é inadimissível. Nos afastarmos cada vez mais de valores e do militarismo nos levaram a perda dos nossos pilares institucionais, da hierarquia e da disciplina. Hoje o RDPM da PMERJ é INCONSTITUCIONAL, uma vergonha. Hoje os policiais militares nas ruas usam o uniforme administrativo, hoje o policial militar não é respeitado nem mesmo por sua Corporação, que usa sua Corregedoria para punir policiais militares sem cobertura ou com aparelhos celulares não cadastrados. É difícil conviver com isso. Pior é ouvir: - Não está satisfeito pedi para sair. Com todo respeito eu respondo:  - Uma ova! Essa instituição também é minha. Alias essa Corporação é da sociedade e não do Governo!   Mas e então, quando isso vai mudar? Quando vamos chegar no nosso limite de não aguentarmos mais essa situação? O diálogo funcionou? Soldado, você está ganhando bem? Não, você ganha o PIOR salário do Brasil, no 2º maior estado em ARRECADAÇÃO! Como não tem dinheiro? Como um policial militar do Mato Grosso do Sul, no meu posto ganha R$ 7.000,00, ou em Brasília R$ 8.000,00 ou em São Paulo, ou em Minhas Gerais, ou em Santa Catarina, ou em Goias… Por que? Por que nossos Comandantes ainda não efetivaram o uso do Termo Circunstanciado? Por que ainda toleramos tantos policiais militares cedidos a outros órgãos, enquanto praticamente todas as nossas unidades se encontram com déficit de efetivo? Até quando senhores?

Praticamos militarismo apenas na caserna, militarismo Comandantes não é só treinar para o 7 de Setembro, é respeitar valores dentro de nossas unidades, é ter paixão pela sua Arma… Me ensinaram na Academia que profissionais não se improvisam, mas onde está nossa especialização? Onde está a divisão dos quadros? Hoje um soldado não quer ser cabo, pois a diferença salarial não compensa o tempo empregado no Curso de Formação de Cabos - além do afastamento dos trabalhos informais na folga. Eu sugiro um aumento significativo para a tropa, com o soldo do recruta igual ao salário mínimo, e um aumento sensível nos cursos de formação, inserindo na tropa a vontade de evoluir dentro da Corporação. 

Está tudo arruinado. E será que ainda não chegamos no limite? Até quando ficaremos calados? Onde está o amor pela farda? Onde está a vontade de querer recuperar o ORGULHO de ser policial militar?! Chega, queremos DIGNIDADE!

Espero que meu texto alcance alguns policiais miltares, de Coronéis à Soldados. E tomara que faça o efeito esperado, vamos provar que é possível recuperarmos nossa PMERJ.

 

Juntos Somos Fortes.

Queria ser um xerife…

agosto 25th, 2008

Vocês já assistiram o filme “Onde os fracos não têm vez - No Country for Old Men”?

Muito bom. O filme é bem polêmico, a começar pelo fato de não haver trilha sonora. Enfim, o início do filme é uma narrativa do xerife Ed Tom Bell - texano - vivido por Tommy Lee Jones; onde ele deixa explícito o aumento da violência em sua cidade. Após o brilhante filme dos irmãos Coen, me senti como o xerife Ed, com um certo ar de saudocismo aos velhos tempos. Assim como a polícia texana a polícia fluminense também passa por um período opaco. A força da PMERJ está em baixa, os policiais tem medo até de sacar suas armas, afinal a Corregedoria, Promotoria, a Cúpula dos Direitos Humanos, estão aí para de qualquer forma prender a polícia. Hoje tenho medo de sacar minha arma, de efetuar uma prisão, medo de fazer mais do que o “permitido” por um bando de calhordas engravatados.

As vezes escuto uma conversa entre sargentos antigos - graduados - cheio de chargões, histórias, prisões… Talvez houvesse mais injustiças, talvez… Mas com certeza havia menos violência, o povo tremia quando um policial militar descia de sua viatura, acariciando seu revólver, em uma demonstração nítida de poder, ele abaixava a cabeça, o chamava de senhor. Hoje um moleque de dezoito encara a autoridade policial, o xinga e até sai no tapa com ele. Ele é filho de promotor, juiz, desembargador ou qualquer outra coisa do gênero. Hoje o policial ganha muito pouco, ele não tem instrução, ele necessita de caridade. Hoje ele é como um leão velho e sem dente. Os mais velhos ficam pelos cantos, não querem mais a “pista”, eles preferem trabalhar em um hospital, na guarda ou em um canto qualquer, onde possam ficar escondidos até a passagem para a reserva - a nossa aposentadoria. Os mais novos, eles não são policiais militares - dizem os mais velhos - eles são outra coisa, são técnicos, ou sei lá. Eles até vão para a rua, ficam fazendo uma social, ou tentando ganhar algum por fora, seja com segurança privada, seja com alguma amizade no comércio, ou até tentando a sorte…

Como vocês já podem ter percebido sou bem sutil nas minhas palavras, assim como os mais velhos não quero problemas, na verdade eu queria até mesmo acabar com o blog, só não faço porque não consigo. A PMERJ acabou, concordo com os antigos. Hoje temos apenas um fantasma, um espectro, um canal onde alguns obtem lucros obscuros, alguns tentam brincar com a sorte e alguns apenas assistem. Hoje não temos heróis, hoje não temos xerifes.

Queria ser um xerife. Mandar no meu distrito, combater o crime pra valer. Queria toda a glória de antigamente, queria o respeito, queria o salário gordo, queria o bom combate… Infelizmente não é mais assim, infelizmente quem está no comando é um punhado de engravatados corruptos que não querem aquela polícia forte, aquela que pode prender eles mesmos, seus filhos, sobrinhos ou até amigos; eles nos querem na mão, na rédea curta. Hoje a imprensa fala o que quer, é uma bela democracia… Você fala o que quer, acaba com vidas e vende muito jornal.

Hoje não é mais regime militar, é demo-cracia… O Brasil adotou a democracia, onde a maioria escolhe, a maioria decide o futuro do país… A maioria? A maioria do Brasil é de favelados, de pessoas sem recursos, sem instrução, pessoas manipuladas pelos vascínoras políticos - nem todos são. Como o deputado Jair Bolsonaro disse, no Regime nós não víamos Generais tão ricos, quanto hoje vemos prefeitos, deputados e governadores. Isso é a democracia? A democracia nos trouxe até aqui, em um estado cercado de favelas por todos os lados, um estado sem o verde dos morros, um estado poluído, um estado onde o crime manda.

Hoje, na democracia, faltam xerifes…

Polícia militar pode aderir a greve - ESTUDO DE CASO

agosto 16th, 2008

Segunda Feira (31) os policiais militares realizarão uma assembléia às 15:00 para discutir a crise que vem gerando na Secretaria da Segurança Pública da Bahia
Se não optarem pela paralisação, os PMs devem definir por um tipo de ação para manifestar a insatisfação, desde um “panelaço”, com a participação das esposas dos militares, a uma “operação-padrão”, ou “tolerância-zero”: os presos em flagrante seriam levados para o plantão central da polícia, o que iria atulhar o local de detidos. 
Deverão participar da assembléia representantes da Associação dos Praças da Polícia Militar - APPM (com cerca de sete mil associados), a Força Invicta dos oficiais (três mil integrantes), a Aspol - Associação dos Policiais da Bahia (2.150) e Associação dos Subtenentes e Sargentos (quatro mil associados), todas da capital. Além dessas, as oito associações de PMs do interior - que representam cerca de oito mil integrantes da corporação - ficaram de mandar diretores para o evento. O presidente da APPM, soldado Agnaldo Pinto confirmou que a mobilização dos praças está mantida diante da “irredutibilidade do governo”. 
 
Os soldados irão ter apenas R$ 2 de aumento disse o sargento José Dias, presidente da Aspol e um dos principais aliados de Jaques Wagner na campanha pelo governo do Estado em 2006. Dias apareceu no programa político de Wagner para reclamar da repressão dos governos do PFL e exibir um contra-cheque de um soldado para tentar provar que o PM baiano  recebia um dos menores salários de todo o Brasil. 
Conforme Dias, houve redução na Gratificação de Atividade Policial, a GAP - que constitui a maior parte do vencimento - para aumentar o salário-base. “A GAP de um soldado é de R$ 1.103,00 e o salário-base R$ 380; na mensagem de aumento, o Estado tirou R$ 20 da GAP e passou para o salário-base que chegou a R$ 400 e sobre esse valor aplicou o aumento de 4,46% resultando em R$ 415”, explicou. “Com essa modificação, a GAP passou para R$ 1.083,00 e, pela mensagem de aumento, não será mais reajustada daqui para frente. Ou seja: nos próximos anos a GAP vai ser desvalorizada. Isso não podemos aceitar, deixou os integrantes da PM super-insatisfeitos”. 
Os policiais já estão desacreditando no novo governo que prometeu valorizar o salário do servidor público e isso não está ocorrendo 
O comando da PM informou através da assessoria de comunicação da Corporação que só vai se pronunciar após a realização da assembléia.

PMs decidem ficar em estado de greve - ESTUDO DE CASO

agosto 16th, 2008

PMs decidem ficar em estado de greve

 

 Por Nelson Rocha

    A ameaça de greve por parte da Polícia Militar, insatisfeita com o aumento salarial proposto pelo governo do estado, ainda é uma realidade, mas os policiais decidiram ficar em estado de greve e aguardar até amanhã, quando a o projeto de lei propondo o aumento deve ser votado na Assembléia Legislativa. A decisão foi tomada ontem, à tarde, durante assembléia geral realizada no Clube da Associação dos Sargentos da PM, situado no Vale dos Barris. A assembléia reuniu um pouco mais de uma centena de policiais representantes de associações da capital e do interior.

  O capitão Tadeu Fernandes, deputado estadual pelo PSB, foi escolhido pelos policiais civis e militares para ser o mediador da queda de braço com o governo. “Vamos procurar um caminho para a gente solucionar esta crise da melhor maneira possível, tanto para a sociedade como para os policiais”, declarou Tadeu. “As questões estão sendo discutidas e qualquer decisão vai partir da categoria”, observou o parlamentar militar, para quem “depois da greve de 2001, quando o governo não quis dialogar, tudo é possível. Mas o que nós queremos é que não chegue a este ponto. O governo do estado abriu às negociações, desde sexta-feira da semana passada. Estamos procurando caminhos que evitem um mal maior para a sociedade”, ressaltou.